No princípio criou Deus os céus e a Terra


Jornalistas não sabem questionar devidamente os cientistas
Julho 3, 2009, 10:33 am
Filed under: Evolução/Big-Bang

Nem a próposito. Quando estou a poucas semanas de concluir a minha tese de mestrado sobre Jornalismo Científico, eis que a Nature dedica alguns textos a este mesmo assunto. “Líder de Claque ou Cão de Guarda?” – foi este o título do editorial da Nature da semana passada, referindo-se ao papel que um jornalista que divulga ciência deve ter. Não é segredo nenhum que grande parte do jornalismo científico feito limita-se apenas à transcrição dos comunicados de imprensa. Fabiola Oliveira, investigadora brasileira, coloca as coisas nestes termos:

Um fato que sempre nos chamou a atenção no relacionamento entre jornalistas e cientistas é a falta de visão crítica e a atitude de certa subserviência em relação aos porta-vozes da ciência.[*1]

A investigadora utiliza uma expressão muito interessante, para se referir a esta atitude subserviente do jornalista: “papagaios de cientistas[*2]. O editorial da Nature salienta que “a sociedade necessita de ver a ciência escrutinada e regurgitada, se quisermos vê-la com confiança, e os jornalistas são uma parte essencial neste processo“. Ora, se há coisa que os jornalistas de ciência raramente fazem, quando o assunto é Darwin, é escrutinar aquilo que lhes está a ser regurgitado.

O primeiro texto da Nature dedicado ao Jornalismo Científico tem um cartoon que retrata a atitude passiva dos jornalistas face ao estabelecimento científico. A imagem dispensa qualquer comentário:

scientist_lying

Toby Murcott, um jornalista com um doutoramento em Bioquímica, conta a sua experiência:

Como correspondente de ciência da BBC World Service, experienciei regularmente a frustração de alguns elementos na sala de redacção. Os meus colegas sentiam que redigimos notícias a partir de publicações científicas sem fazermos uma análise significativa e profunda ou um comentário crítico: apenas traduzimos o que os cientistas disseram.

O autor dá o exemplo do jornalismo político, em que o jornalista é parte activa do debate político e não um mero “papagaio de político”. Eles encostam o engenheiro Sócrates [*3] à parede, procuram contradições, incongruências, histórias mal contadas, etc. O mesmo não se pode dizer do jornalismo de ciência. Os jornalistas transmitem, de forma acrítica, as informações que recebem das instituições científicas. Actualmente, o jornalista de ciência é mais “como um padre, que retira informação de uma fonte de autoridade e comunica-a à congregação“.

Toby Murcott acredita, seriamente, que “o modelo de “sacerdócio” do jornalismo científico precisa de ser derrubado” e que os jornalistas deveriam ser “capazes de interrogar, serem críticos quando necessário e não se sentirem intimidados por aqueles que estão a entrevistar“.

journalist_cheerleaderjournalist_watchdog

(Imagens)

CONCLUSÕES

O que aqui foi dito certamente não é novidade para quem frequenta este blogue. Principalmente quando o assunto é evolução, o jornalista limita-se a debitar os comunicados de imprensa não digeridos. Não coloca as questões cruciais, não questiona a filosofia mascarada de ciência que lhe está a ser transmitida. Aceita, de bom grado, as vãs especulações dos cientistas como se fossem observações científicas.

A comunicação social está vendida a Darwin. Aquilo que se passou com a Ida foi simplesmente vergonhoso. Em lugar de informarem, os meios de comunicação desinformaram. Deve haver por aí muita gente que ainda pensa que o lémur-macaco é o elo perdido que confirma, de uma vez por todas, a teoria da evolução, tal foi a forma como foi anunciado ao público.

Aprendam com a experiência. Não fiquem preocupados com o que lêem na comunicação social a respeito das últimas “evidências” da teoria da evolução. Se há algo que o tempo mostra é que as fantasias evolucionistas vão caindo com o passar dos anos.
_______________________________________________________________

REFERÊNCIAS OU NOTAS:

[*1] – Oliveira, F. (2002), “Jornalismo Científico“, São Paulo: Editora Contexto, pág. 48

[*2] – Ref. 1, pág. 14

[*3] – José Sócrates é o actual primeiro-ministro de Portugal.

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3 comentários so far
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Jornalistas não sabem questionar devidamente os cientistas

Não sabem… Ou não querem mesmo? Ou não devem, por motivos de força maior (Exemplo http://cosmologystatement.org/)

Pois para copiar na íntegra um paper científico…

Acho que é por causa destes casos, também, que o diploma de jornalista agora não é mais requisito aqui no Brasil para se exercer a profissão (Desconheço a situação em Portugal). Se for para usar Ctrl+C e Ctrl+V, não é necessário 1 dia sequer de estudo, só acesso à internet…

Acho que nem o G1 escapa.

Comentar por MVR

Créu!…(expressão brasileira para)

http://www.arthworld.wordpress.com

Comentar por arthgar

A unica conclusao que deverias retirar do que leste na Nature é: Para fazer jornalismo cientifico, sao precisos cientistas com formaçao jornalistica. É obvio (no teu blog ainda mais) que o curso de jornalismo nao serve para dotar os fantasticos candidatos a jornalistas de capacidade critica relativamente aos trabalhos cientificos. Era o que mais faltava termos uma cambada de ignorantes (nas respectivas materias) a “avaliar” o nosso trabalho. Mas tamos a gozar ou q?

Deves achar que quem faz ciencia tem o mesmo nivel de conhecimentos que ali o “ze dos pneus” que passou a vida toda a trocar rodas. É de um “chico-espertismo” tal a tua atitude… so mandar postas de pescada.

Cresce e faz-te discreto.

Comentar por rasputin




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