No princípio criou Deus os céus e a Terra


Entrevista integral ao SEXTA
Dezembro 27, 2008, 1:57 am
Filed under: Convicções / Fé, Desabafos, Evolução/Big-Bang

Fica aqui toda a minha entrevista sobre a peça que saiu no jornal SEXTA a respeito do Evolucionismo e Criacionismo. Para quem não leu, deixo a verde escuro aquilo que foi incluído na peça jornalística.
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Jornalista (J): Há quanto tempo tens o blogue?
Marcos Sabino (MS): Há um ano e um mês, sensivelmente.

J: Como vai de visitas? Melhor do que esperavas ao início?
MS: A verdade é que não imaginava que o debate “Evolucionismo vs. Criacionismo” captava tanto a atenção das pessoas. Por vezes, vejo-me linkado em varios sitios, como foruns de discussão, e isso motiva-me a escrever.

J: No início ja tinhas a nocão do q ias argumentar no blogue ou foi uma descoberta com o tempo?
MS: Já sabia que ia abordar aspectos da teoria da evolução e do criacionismo.

J: Já conhecias ambas a fundo?
MS: Negativo… da teoria da evolução pouco mais conhecia a não ser aquilo que tinha aprendido no liceu e também desconhecia os pontos do criacionismo, por incrível que pareça. Não imaginava que havia uma outra forma de olhar para os factos.

J: Quando pesquisas temas para posts sentes-te descomplexado, no sentido de te abrires à leitura do que é favorável e do que é desfavorável àquilo em que acreditas ou a falta de tempo faz com que foques a pesquisa em temas pró-criação?
MS: Nos primeiros tempos, li alguns livros pró-evolução (anti-criacionismo), para saber melhor aquilo que a teoria de evolução diz e para saber quais as principais criticas ao criacionismo bíblico… A desilusão de Deus, de Richard Dawkins, e Evolução e criacionismo: uma relação impossível, de Teresa Avelar e outros 3 tipos.

J: Entao, inicialmente, quiseste conhecer o “adversário”… hoje olhas para argumentos pró-criação, que mentalmente confrontas com o que já leste sobre a evolução…
MS: Bem, não os considero adversários… trabalham para ele, mas não são eles o meu adversário.

J: Esse adversário é o ateísmo?
MS: O adversário é o Diabo, como diz em I Pedro 5:8. O ateísmo é apenas uma consequência da sua função.

J: O que dizes é que o evolucionismo é espicaçado pelo diabo ou que é uma acção estritamente humana mas que faz o jogo dele?
MS: A evolução é uma teoria que pretende “expulsar” Deus do cenário e apesar de muita gente dizer que não, eu não consigo ver isto de outra forma. A Evolução promove o ateísmo e isso é o que o Diabo pretende…  é o trabalho dele… impedir que as pessoas cheguem ao conhecimento de Deus.

J: Mas promove-o humanamente ou os homens que o fazem foram incitados de alguma forma pelo diabo? Ou seja… ele está por detrás disto ou é um espectador que se ri disto tudo?
MS: Não te vou dizer que o Diabo apareceu em sonhos aos “pais” da teoria evolucionista, a dizer para postularem essa teoria mas sim, [a teoria da evolução] é uma filosofia de vida humanista que não pretende nada com Deus.

J: Mas há cientistas que crêem…
MS: Sim, há cientistas que conseguem conciliar Deus e teoria da evolução, no entanto, é impossível fazê-lo sem causar dano a alguma delas… ou ao relato bíblico da origem da vida, ou à teoria evolucionista.

J: O que disseste foi que o evolucionismo é anti-religioso por natureza. Acreditas que ele é um ramo da ciência, criado precisamente com o objectivo de contrariar a ideia de Deus, ou que ele é um efeito da procura do conhecimento pela ciência?
MS: Não acredito que seja uma teoria propositadamente desenvolvida para “extinguir” Deus. É uma teoria que pretende chegar ao conhecimento da origem da vida mas é uma teoria que mistura ciencia com religião. Isto é, mistura observação científica com afirmações de fé, sendo a fé o acreditar em coisas que nao se vêem.

J: A ciencia foi com o tempo separando-se de Deus ou ja nasceu com esse pressuposto?
MS: Depende de que tipo de ciencia estas a falar. Se estiveres a referir-te à teoria da evolução, sim.

J: Há mais que uma? A ciência não é una?
MS: É una, mas há diferenças significativas na ciência que trata das origens. Ela está, em grande parte, sujeita a especulação, interpretação, dedução. Já imaginaste se a medicina estivesse sujeita aos mesmos métodos?

J: A teoria da evolucao, que veio dar uma volta enorme à visão dos cientistas sobre a origem é, no teu entender, em si mesma, um ramo da ciência?
MS: É assim… não se pode considerar a teoria da evolução integralmente científica porque ela passa, constantemente, de observações cientificas para afirmações de fé e vice-versa… e os evolucionistas nem dão conta disso.

J: O que pergunto é se a ciencia, desde a teoria da evolucão, entregou a pesquisa sobre as origens à teoria da evolução, fechando a porta a outras pesquisas contrárias…?
MS: A origem das espécies está entregue à teoria evolucionista. Mas se perguntares como é que a teoria evolucionista explica a abiogénese (matéria inorgânica originar matéria orgânica),  [os evolucionistas] dir-te-ão que isso não faz parte da teoria.

J: Nenhuma teoria engloba tudo. Para isso é que existe a ciência… para completar Darwin. Ele não sabia tudo…
MS:  Na minha opinião, isso é jogar à defesa. Como cristão, acredito que só o Criador sabe tudo. Há quem diga que isso [actualização da ciência] é uma coisa boa… mas isso leva-me a constatar outra coisa… se está sempre em construção, quer dizer que nunca vai chegar à última verdade e que, independentemente do tempo que passe, a teoria da evolução nunca nos poderá dizer com certeza como a vida chegou até aqui. Por isso é que eu acredito que uma pessoa deve ficar com a palavra de Deus, imutável. Na bíblia vês: “Está escrito…”. Os manuais cientificos são escritos e reescritos e reescritos, etc

J: Mas assim tem sido com todo o tipo de conhecimento… política, geografia, história… o conhecimento vai melhorando…
MS: Não posso concordar com o “vai melhorando” e doute um exemplo prático e pessoal. Aquilo que me ensinaram, há cerca de 10 anos, sobre o percurso evolutivo do ser humano já não é a ideia que permanece hoje. Está errado! Se há 10 anos a coisa estava errada, quem me garante que hoje a coisa esteja certa?

J: Mas se se concluiu que estava errada é porque se concluiu que esta está, pelo menos, mais completa… o conhecimento que temos de, por exemplo, Salazar é cada vez maior com o tempo…
MS: O que eu quero dizer é que se entregas a tua confiança, em relação às origens, à teoria evolucionista nunca terás certezas de nada porque, naturalmente, é complicado querer inferir sobre coisas que não se viram. Aí os criacionistas partem do relato do único que esteve presente na origem do universo – Deus.

J: Entendes que a ciência é válida para procurar o conhecimento, mas não vês nela o método certo uma vez que ela não te garante o conhecimento absoluto…
MS: Repara… há muita coisa que não pode ser perscrutável através do método científico (naturalista). Por exemplo, no domínio da ética e no domínio da estética. O método naturalista é uma das formas de se olhar para as origens. Não o método absoluto, certamente.

J: Acreditas que a ciência tem omitido propositadamente teorias contrárias à da evolução? Pesquisas de cariz científico que tenham concluído algo contrário…?
MS: Com certeza, e um exemplo disso é a obra “Forbidden Archaeology” de Michael Cremo e Richard Thompson. Os autores documentam inúmeros “out of place artifacts” – artefactos fora do lugar – que, mesmo segundo os métodos convencionais de datação, indicam que o ser humano ja está na terra há muito mais tempo do que nos diz a teoria evolucionista.

J: Mas uma tal proibição terá sido imposta como? Isso implica que haja hierarquia na ciência… mas a verdade é que os papers sao analisados peer-to-peer. Há um código de conduta na ciência, que permite e proibe práticas?
MS: Bem, isso vai para além daquilo que estou habilitado a responder… no entanto, há cientistas que ja fizeram reviews de trabalhos de outros cientistas e eles contam que o peer-review nao é como as pessoas pensam. Eu não duvido que haja liberdade… mas a liberdade só existe de uma parte do muro de berlim. Nada de um lado do muro passa para o outro lado e, portanto, trabalhos contrários aos paradigmas convencionais são simplesmente ignorados ou desconsiderados.

J: Para terminar… meia dúzia de perguntas “de bolso”. Cá vai: acreditas que o mundo nasceu em sete dias, há uns 3000 anos, e que o Homem surgiu com as duas personagens bíblicas Adão e Eva?
MS: Acredito que o mundo foi criado por Deus em 6 dias de 24 horas – há cerca de 6000 anos -, sendo Adão e Eva as primeiras pessoas à face da Terra.

J: Quando te voltaste para o criacionismo? Porquê? O que te faz acreditar na Bíblia?
MS: Ao contrário de outros livros “sagrados”, a bíblia é um livro de História, cujos locais e pessoas mencionados têm sido corroborados pelas descobertas arqueológicas. Acredito que a bíblia é a chave essencial para entendermos o mundo de hoje, tendo sempre presente episódios como a desobediência do homem a Deus, o Dilúvio e Babel.

J: Os cientistas dizem que quando obtêm provas que refutam o criacionismo os criacionistas procuram defeitos metodológicos na investigação. Já os criacionistas dizem que quando obtêm provas que refutam a ciência os cientistas não estão receptivos a ouvir. Estamos a falar de dois métodos que partem igualmente de crenças?
MS: Sem dúvida. Tanto criacionistas como evolucionistas partem das suas pressuposições, pressuposições essas que não podem ser provadas. Digamos que os dois olham para os mesmos factos, só que com diferentes softwares.

J: Jónatas Machado diz que como ninguém esteve presente no início não pode ser provada a evolução. Não acontece o mesmo com o criacionismo?
MS: Como referi em cima, os criacionistas acreditam que só Aquele que presenciou o início de tudo está habilitado a dizer-nos o que se passou. Ninguém viu a abiogénese… mas Deus viu a Criação, ja que foi Ele o Criador.

J: Há quem aponte contradições nos textos do livro do Génesis…
MS: As contradições apontadas são fruto da falta de entendimento do ser humano. Uma coisa que já reparei neste ano de blogger é que as pessoas consideram a bíblia “culpada, até prova em contrário“. Normalmente uma pessoa é considerada inocente até prova em contrário mas, com a bíblia, as pessoas assumem o oposto – “culpada ate prova em contrário“.

J: Significa então que deveríamos adoptar a bíblia até que a ciência provasse a veracidade do evolucionismo, o que pode ser impossível… não devem ambas partir do mesmo ponto? Serem ambas alvo de dúvida?
MS: Eu não digo que a ciência deveria adoptar o relato do Génesis. Apenas digo que a teoria evolucionista também tem a sua dose de religião. O profeta Jeremias disse: “Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração.” (Jeremias 29:13).  É isso que eu desafio as pessoas a fazerem… olharem para as evidências com outro software, tirando as lentes evolucionistas e colocando as lentes bíblicas.

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20 comentários so far
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Uma resposta à historinha publicada no blog padreCarlos que recorre ao nome de Einstein.

Um dia destes recebi um mail por parte de uma pessoa de família que apresentava a historinha do padre Carlos que recorre ao nome de Einstein.

Quando o li, redigi uma resposta.
Na manha seguinte, enquanto fazia a barba, chegou à minha cabeça a outra parte da resposta, desta vez também sob a forma de uma historinha. Passo a expôr.

“O mal existe?

Para você que leu a historinha divulgada pela net, com o título semelhante à pergunta inicial, em que, Einstein, no final, revela o seu nome depois de se ter levantado como paladino de Deus contra um professor que punha a sua existência em causa.

Proponho-lhe a leitura de outra historinha. Partimos da mesma questão.

“O mal existe?

Seriam precisos mais do que jogos de palavras ou a participação em jogos de palavras, para você, uma pessoa bem formada, matar alguém ou achar que alguém deveria ser morto. Certo?

Então, o mal existe!

Toda a teologia não passa de isso mesmo, jogos de palavras, e em nome dessa teologia já foram mortos milhões, e continuam a ser mortos milhares.

Logo, o mal existe!!!

Os mortos estão aí.”

E a historinha acaba aqui. O resto já não é a historinha. É mesmo o sangue desses mortos sobre a cabeça de alguém movido pela religião.

Mas, proponho-lhe ainda outra historinha em formato de silogismo.

“O diabo é o fanatismo!

A religião,
• que promove uma estrutura de endoutrinação – a família religiosa – que a torna o suporte da visão do mundo do indivíduo;
• a religião, que consiste numa estrutura de ritos assentes na exploração e exposição racional de um conjunto de dogmas sem fundamentação racional, que, consequentemente, poderão ser a origem de comportamentos irracionais por parte do indivíduo endoutrinado…
é um espaço em que se verifica uma enorme quantidade de comportamentos fanáticos.
Logo o diabo é a religião!”

E a propósito do comentário do Jónatas Machado citado no artigo do SEXTA:
“Como Jónatas costuma dizer, religião por religião mais vale ficar com a cristã. Ao menos essa faz sentido no mundo em que vivemos.” acrescento que esse cristianismo ajuda também a explicar a disfuncionalidade do mundo em que vivemos.
É que essa religião cristã foi a matriz cultural que formou os valores em que o Ocidente cresceu e cujo modelo de vida é nesta altura é exportado para todo o mundo. Logo, há algo de muito podre nos fundamentos do cristianismo.

Tratar criacionismo como suporte à validade da religião sem o enquadrar na vivência planetária do fenómeno religioso parece-me mais uma forma de fragmentação da consciência.
É o contínuo e eterno arranhar da superfície.
É a vivência de quem recusa a simplicidade dos fundamentos.

A religião, e consequentes vivências, são um subproduto da tendência inata do sapiens sapiens para a pertença a grupos. A pertença a grupos é um dos alicerces fundamentais da identidade do sujeito psicológico. O sujeito psicológico é uma criatura historicamente situada.
Neste momento histórico os homólogos do Marcos nascidos em países islâmicos, dedicam-se mais à preparação de atentados do que à escrita em blogues.
Que sorte o mundo ter um Marcos Sabino nascido no ocidente cristão! Sempre ficam sem explodir mais umas barritas de dinamite!!!

Comentar por ji

A religião, e consequentes vivências, são um subproduto da tendência inata do sapiens sapiens para a pertença a grupos.

Qual religião? Há religiões não-teístas que são bem diferentes das religiões teístas.

Neste momento histórico os homólogos do Marcos nascidos em países islâmicos, dedicam-se mais à preparação de atentados do que à escrita em blogues.

Ou por outras palavras, os cristãos ocidentais só são cristãos porque nasceram no ocidente. Mas o que fazer daqueles que se converteram a Cristo no Oriente? Parece que a geografia não foi impedimento para a conversão a Cristo.

Comentar por Mats

teístas, não-teístas, mono teístas, politeístas … etc..grupos humanos em situações de severo isolamento geográfico (tribos reconditas) tem cosmogéneses diferentes de outros grupos; quando agrupadas em civilizações (p.ex Maias) a civilização constrói a sua própria cosmogénese partilhada pelo grosso dos indivíduos e, sobretudo, veiculada pelo grupo dominante; quando assimiladas por impérios (Roma) e pretendem integração plena, aculturam-se pela matriz religiosa do império.

Quando se tornam paradigmas civilizaçionais alargados (o Ocidente cristão, o Oriente politeísta, o Sul-Oriente islâmico) continuam a ser a expressão da pertença a grupos que variam extraordinariamente quanto ao número de indivíduos.

Claro que existem sempre tipos descontentes com a vida que levam: os ocidentais convertidos ao islamismo, praticantes do budismo etc… (o conceito é o de grupos de pertença e grupos da referência). Fala-se de grupos numerosos de indivíduos identificados com o conceito de religião de estado.

Há algum tempo tive uma conversa com um indivíduo, pastor protestante, que eu considerava esclarecido intelectualmente. No seu papel de condutor de homens esperava maior lucidez acerca desta questão. A imagem que me deixou foi a de que era o que era como resultado da história da sua família: o avô veio do Brasil convertido ao protestantismo; passado algum tempo em Portugal primeiro converte-se um irmão, depois outro… etc.
E fiquei a pensar: este tipo afinal é um cego condutor de cegos… não consegue ver mais largo do que a história da sua família…
A endoutrinação religiosa desde tenra idade é terrível: assim como os teus pais, com a sua vivência familiar, te passam uma imagem daquilo que o mundo deveria ser do ponto de vista das relações humanas, do bom e do mau, da ocupação do tempo, das regras… etc, também te passam a imagem do que o mundo é do ponto de vista da sua existência e da tua existência nele.
Conheces muita gente que renegue a família???
É doloroso.
Mas enquanto do ponto de vista da formação para o quotidiano as verdades dos teus pais são necessárias para a socialização, do ponto de vista da formação religiosa as suas verdade são tão relativas como a existência das diversas religiões.

Comentar por ji

“A endoutrinação religiosa desde tenra idade é terrível…”

e enfiar ateísmo na cabeça das crianças é algo correto?

lembrei-me de uma seção do livro “Não tenho fé suficiente para ser ateu”, em que os autores falam algo mais ou menos assim:
nos assustamos quando islâmicos fundamentalistas ensinas às suas crianças que os judeus são porcos…mas em nosso país, ensinamos, através de um currículo unilateral de biologia, que, de fato, somos “porcos” com o cérebro crescido.
que não fomos criados à imagem e semelhança de um Deus que nos ama, e que portanto, não temos um padrão de justiça divino a seguir, que a moralidade é algo relativo, etc.
depois ainda não esperamos maus resultados…

Comentar por Fabricio Lovato

É um clássico da História humana a cena do religioso matar outros religiosos e não religiosos por não partilharem da crença no seu deus; mas não é tão lugar comum o ateu virar-se para o religioso e mata-lo por ele não ser ateu.
Quanto a sermos, nós, sapiens sapiens, “porcos” com o cérebro crescido”… somos apenas humanos! “Dr Jekyl e Mr. Hyde”, conheces a fábula… O filme Blindness, baseado no Ensaio sobre a cegueira…. Temos cá dentro o pior e o melhor. A pertença a grupos é um exemplo disso. Existem grupos de caridade; existem grupos de destruição. O estranho é em alguns períodos civilizacionais os grupos de destruição serem movidos pela religião… Isso diz-nos algo acerca da religião: é só mais uma estrutura de poder.
O ateu é mais do género vive e deixa viver!

Comentar por ji

ji

e quanto aos milhões de mortos em regimes comunistas ateus?
devo julgar o ateísmo como falso por essa razão?
como disse Francis Collins, “não julgue uma quantidade de água pura por causa de um copo enferrujado.”

Comentar por Fabricio Lovato

“e quanto aos milhões de mortos em regimes comunistas ateus” e em países frios e apreciadores de vodka e de borcht.

Que interessa a associação? Não foram mortos por causa do ateísmo.

Comentar por Ska

teístas, não-teístas, mono teístas, politeístas … etc..grupos humanos em situações de severo isolamento geográfico (tribos reconditas) tem cosmogéneses diferentes de outros grupos; quando agrupadas em civilizações (p.ex Maias) a civilização constrói a sua própria cosmogénese partilhada pelo grosso dos indivíduos e, sobretudo, veiculada pelo grupo dominante; quando assimiladas por impérios (Roma) e pretendem integração plena, aculturam-se pela matriz religiosa do império.

Isso explica o porquê da maioria dos biólogos acreditar na evolução. É apenas o resultado de pensamento de grupo.

É um clássico da História humana a cena do religioso matar outros religiosos e não religiosos por não partilharem da crença no seu deus; mas não é tão lugar comum o ateu virar-se para o religioso e mata-lo por ele não ser ateu.

hmmm E Stalin? E Pol Pot? E Mao Tse Tung? E todos aqueles regimes comunistas ateus do leste europeu que causaram a morte a mais de um milhão de pessoas, muitas delas pelo simples facto de serem servas de Cristo?

O século 20, século do ateísmo e da evolução, foi o século mais sangrento da história. Trés ateus (Mao Tse Tung, Stalin e Pol Pot) mataram mais seres humanos em genocídio no espaço de 70 anos que toda a história do cristianismo combinada (2000 anos).

Comentar por Mats

Ska,

Que interessa a associação? Não foram mortos por causa do ateísmo.

Mas eles (os ditadores marxistas ateis) dizem que mataram por causa do ateísmo:

http://darwinismo.wordpress.com/2008/09/28/comunismo-e-ateismo/

Eis algumas coisas bonitas:

Ateísmo militante anti-cristão e Comunismo “O homem faz a religião, a religião não faz o homem… A religião é o suspiro da criatura atormentada, o sentimento de um mundo sem coração, como o é o espírito de estados fora do tempo. Ela é o ópio do povo.” (Karl Marx, em “Manifesto Comunista”)

“É preciso combater a religião, eis o ABC do comunismo.” (Vladimir Lenin, marxista revolucionário russo)

“Detrás de cada imagem de Cristo só se vê o gesto brutal do capital.” (Vladimir Lenin)

“Deus é uma mentira.” (Vladimir Lenin)

Não, não há nada de ateísta no comunismo!

Comentar por Mats

Três ateus (Mao Tse Tung, Stalin e Pol Pot) mataram mais seres.

Tanto quanto sei, eles não andaram a ligar as câmaras de gás e a carregar espingardas. Eles eram líderes de regimes que mataram muita gente. Mais do que toda a história do cristianismo é que não me acredito muito.

Ah, e “O século 20 (…)foi o século mais sangrento da história” é completamente tanga. Sem pensar muito, o caim matou 25% da população humana, segundo o que diz no livro.

Comentar por Ska

“Que interessa a associação? Não foram mortos por causa do ateísmo.”

Durante o período comunista na antiga União Soviética existiu inicialmente um programa para remover 1) a influência da Igreja Ortodoxa Russa, 2) seguindo-se uma perseguição extensiva a muitas outras Igrejas e grupos religiosos, resultando na destruição de várias igrejas ou uso alternativo das mesmas, mortes e encarceramentos. A intenção central era tornar aquele estado comunista um estado ateu. Embora os Cristãos na União Soviética tenham sido perseguidos directamente por causa da sua fé, o que levou a tal atitude foi a cosmovisão dominante ateísta, com a pressuposição teológica fundamental de que não existe algum “Deus”. Por isso, estás errado – mais uma vez!

Contudo, concordo com o que já foi dito: Para avaliar objectivamente a validade de um sistema filosófico, atitudes morais dos seus aderentes são irrelevantes.

Está ainda por responder como num universo ateísta, a ética pode ser normativa ou obrigatória – por isso, objectiva.

Comentar por João Gabriel

Por isso, estás errado – mais uma vez!

Sim?? Então todas as mortes dos regimes supra-mencionadas foram por motivos meramente religiosos?

Sim senhor, muito me contas

Comentar por Ska

“Sim?? Então todas as mortes dos regimes supra-mencionadas foram por motivos meramente religiosos?”

Nota como tu alteras a tua questão de “não morreram por causa do ateísmo” para “morreram por motivos puramente religiosos”. Eu não mencionei “todas as mortes”, mas apenas as “mortes” (entre outras coisas) dos “Cristãos”, durante o regime comunista na União Soviética. Além disso, na base da cosmovisão ateísta dos líderes comunistas estava uma pressuposição teológica fundamental (por isso, religiosa) de que não existe nenhum “Deus”. O que vem depois é fruto dessa pressuposição central (evidentemente que existiram outros motivos, os quais talvez descrevesses como políticos, comerciais, etc., seja como for, mesmo por trás desses, a pressuposição fundamental de que Deus não existe, permeia todos eles). Assim, nesse sentido, as “mortes” que mencionei, sim, foram por motivos “meramente” religiosos.

Contudo, depois de eu dizer que “Para avaliar objectivamente a validade de um sistema filosófico, atitudes morais dos seus aderentes são irrelevantes”, continuas a insistir sobre a questão irrelevante.

Mais uma vez, termino dizendo:

Está ainda por responder como num universo ateísta, a ética pode ser normativa ou obrigatória – por isso, objectiva.

Comentar por João Gabriel

Engano:

Na frase “puramente religiosos”, deveria ter escrito “meramente religiosos”.

Comentar por João Gabriel

O que é a morte dos cristãos? Afirmas portanto que todos os cristãos que morreram durante esses regimes morreram por causa da sua religião?

“Está ainda por responder como num universo ateísta, a ética pode ser normativa ou obrigatória – por isso, objectiva.”

Dava para escrever um livro muito grande com tudo aquilo que está ainda por responder. Que raio tem isso a haver com a conversa até aqui? E com o tema do post, já agora?

Comentar por Ska

Considerações e opiniões pessoais à parte, o que aqui ressalto, enquanto jornalista, é a forma como a escolha de citações por parte do jornalista do Sexta afecta e desvirtua o total da entevista. Vendo o trabalho na totalidade percebe-se facilmente que a escolha que o jornalista faz das tuas citações (que são verdadeiras mas totalmente descontextualizadas) tem um objectivo claro. E isso, enquanto jornalista, deixa-me um pouco irritada.

Mais uma vez, opiniões pessoais à parte, foi uma boa entrevista. Parabéns, Sabino!

Comentar por Mukkinha

A propósito dos milhões de mortos por causa do ateísmo e dos milhões de mortos por causa do cristianismo, o ponto é mesmo esse: milhões de mortos!!! (a acreditar no ‘amor’ pregado, o cristianismo nunca deveria ter morto ninguém; aqueles paganismos do Odin e do Thor, esses sim…)

Quanto a ateísmo ou cristianismo tanto um como outro servem bem de pretexto para os jogos de poder que um e outro encobrem (natureza humana… natureza humana).
Existem uns poucos tipos de poderes neste mundo: político, religioso, força bruta, e o binómio mente/espirito do ser individual. Nesta questão os tipos pro-religião não conseguem ou não querem ver as jogadas históricas que envolvem a religião como golpes de um desses tipos de poder: ou o religioso que pretende aumentar a sua esfera de influência; ou o político que se serve da adesão e voluntarismo religioso como fonte barata de combustível de movimentação de massas.

A conversa à volta destas historinhas faz-me sempre lembrar os tipos que dizem: ‘nós fomos os primeiros a abolir a escravatura’ sem verem que foram também eles, cristãos, que a introduziram à dimensão industrial no ocidente cristão, e em nome do cristianismo. Dava tanto jeito à economia… ou então: ’nós mandamos muitos missionários que criam centros de saúde para os pretinhos’ … depois de terem espoliado os “pretinhos” das suas maneiras de viver ancestrais e em equilíbrio com a natureza, porque lhes quiseram surripiar as matérias primas valiosas…
E depois tipos como o bloguista-mor vem dizer que “não culpa os militantes… mas sim as agendas políticas..”… sim as agendas políticas dos do poder, que por um conjunto de circunstâncias históricas, no Ocidente, são cristãos, porque o Ocidente ergueu-se sobre valores fornecidos pela matriz cultural-religiosa dominante: o cristianismo.

Olhando para a disfuncionalidade actual da vida no Ocidente podemos farejar nas entranhas dos esquemas de pensamento e acção que o cristianismo promove algo de muito podre…

Comentar por ji

Olá Mats.

E quanto aos mortos, não esquecer os danos colaterais (expressão de mais um cristão, Donald Rumsfeld) do cristianismo: toda a América do Sul pós-colombiana, em gripe, varíola, cólera e escravatura; e grande parte da África negra em escravatura (deus é amor, não esquecer também que cristo vem te salvar…)

“Isso explica o porquê da maioria dos biólogos acreditar na evolução. É apenas o resultado de pensamento de grupo.”

Mats aprende depressa.

Boas qualidades!

Aliás neste blog consigo ver gente que é inteligente, voluntariosa e aguerrida, num gigantesco dispêndio de energia e tempo por te posto essas qualidades ao serviço de uma causa perdida, enquanto o próximo século precisa de tanto trabalho a favor do equilíbrio com o ambiente e a favor da vida em todas as suas formas… Biofilia…

Vamos lá.

É uma “…causa perdida… ” (mas é também a causa que nos ha-de fazer perder a todos…) desde que Galileu apontou a luneta ao espaço para confirmar/infirmar as proposições de Kepler e as suas próprias. Machadada final com a Física clássica de Newton e consequente Astronomia científica (e não como até então, astronomia especulativa ou metafísica).

Nessa altura descobrimos que afinal o Sol ia aparecer amanha (como tu vais ver Mats, aposto uma contra o teu deus) sem ter que dar graças a deus para isso acontecer… coisa que tinha desde sempre deixado a humanidade receosa (cosmogonias, rituais de renovação, etc…).

Essas observações do séc XV e XVI inseriram-se numa tradição muito antiga de tentativas de leitura e interpretação matematizante da realidade, interpretação de que a descoberta dos harmónicos em VI ac.por Pitágoras já é um dos momentos.

Por isso, causa perdida. É essa interpretação matematizante que te aquece o leite para as torradas no microondas, Mats, não é a graça de nosso senhor.

A “… graça de nosso senhor…” é o produto de uma de umas poucas tendências comportamentais inatas do Sapiens Sapiens, que é a pertença a grupos; mais correctamente (como vocabulário identificador de uma tendência inata) o gregarismo. O dos tais biólogos…

Acontece que esses biólogos, quando falam, tem muito número, muito estudo experimental, muita replicação desses estudos noutras realidades, para terem alguma certeza da validade e fiabilidade das suas conclusões, portanto, daquilo que falam. Não falam da treta contada pela metade dos acampamentos e encontros de jovens…

Aqui a malta… a que foi educada, como eu, nos acampamentos da palavra da vida, do centro bíblico de Esmoriz, e dos baptistas de Água de Madeiros, sempre teve muita conversa do género da que se faz neste blog.

Aliás, é fantástico ver o que a tecnologia pode fazer (aquela que se suporta da matemática e não da graça de deus…). É que defender o salvador aguerridamente, como vocês fazem neste blog, e com tão boa apresentação, até é capaz de impressionar favoravelmente as miúdas, e cotar-vos muito bem entre a comunidade protestante, da qual são elementos, e aspirantes a eminentes representantes.

Pena é que, nos acampamentos, os tipos que tiveram conversas deste género comigo, como tem agora convosco, nunca falem, já não digo de ciência (por exemplo, Etologia… para conhecermos melhor o objecto de que se está a descrever o comportamento, o Homem) mas ao menos de áreas por que passaram na sua formação Teológica, como por exemplo, Crítica Textual.

A Crítica Textual é o estudo comparativo dos evangelhos e dos outros textos bíblicos, tanto entre si, como com as primeiras fontes, com os exemplares historicamente intermédios, e com as últimas traduções, … aquelas que vocês usam na escola dominical.

É que a tal Critica Textual, na sua metodologia, pressupõe que aquilo que vocês consideram palavra sagrada, divinamente inspirada, de verdade e valor absoluto e intemporal, (em suma, aquele conjunto de livros antigos cosidos num único volume nos primeiros concílios da igreja primitiva por interesses de um emergente poder religioso) e em cujas interpretações vocês baseiam a conversa fiada do blog, seja afinal um objecto sujeito à história e a uma história.

Por exemplo, os teus monitores não te dizem que aquela historinha fantástica do cristo em conversa com os do sinédrio a defender uma mulher que foi apanhada em adultério (ou a prostituir-se, já não tenho a certeza, … posso confirmar) em que o cristo sai-se com a de que quem não tem pecado que lhe atire a primeira pedra, conhecida como a história da mulher adúltera não consta de nenhum dos manuscritos originais dos evangelhos… Foi acrescentada à posteriori por algum monge num scriptoria bafiento de algum mosteiro aonde a palavra foi copiada e recopiada e acrescentada e omitida e variada e modificada e etc… Digamos que o monge era um bom monge. Até conseguia pensar como o cristo, e a historinha dele foi aceita durante séculos como original… isto é, pertencente ao textos originais dos evangelhos, porque original é com certeza: tem origem num tipo qualquer… que queria fazer história… (natureza humana… natureza humana…) …e vocês continuam a bater-se por uma causa perdida…

Aprende mais alguma coisa acerca do Sapiens Sapiens. Não é só o gregarismo; a espécie também é territorial; a espécie também é hierárquica.
Se quiseres aprender mais alguma coisa acerca daquilo que faz com que os biólogos e os religiosos ajam, aconselho Etologia.

Comentar por ji

O site do Design Inteligente também fala sobre essa peça que saiu no jornal SEXTA:

O Fantasma do Criacionismo e o Tabu do DI
http://designinteligente.blogspot.com/2008/12/o-fantasma-do-criacionismo-e-o-tabu-do.html

Realmente, esse tal jornalista deve ser apenas mais um evólatra, querendo tirar sarro dos criacionistas, e dando uma de jornalista “isento”!

Comentar por Fernando

Em relação ao Diabo e a sua acção parece-me que talvez se acredite ser o Diabo um pouco mais ingénuo do que ele sendo quem seria deveria ser.
Se fosse eu o Diabo, Sr. Sabino, e procurasse tomar alguma vantagem, apresentar-me-ia como adversário de Deus?
Querendo eu que fosse a Humanidade minha seguidora e adorado por ela ensinaria que doutrina senão a de Deus?
Porque, e já que gostamos tanto de provérbios, não optaria ele por uma técnica tipo com a verdade te engano?
E se tal fosse verdade como poderia saber efectivamnete o Sr a quem de facto adora?

Comentar por José Duque




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