No princípio criou Deus os céus e a Terra


Cristianismo – A fé impossível (Parte 14)
Outubro 27, 2008, 11:02 am
Filed under: Convicções / Fé

Ver Parte 13

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Como não começar uma religião no mundo antigo:

FACTOR 14 – MISCELÂNEA DE CONTRÁRIOS

A maioria dos ensinos e atitudes de Jesus e do Cristianismo primitivo iam contra ao que era aceite como “normal” no século I. Jesus disse às pessoas que, em caso de conflito, era mais importante segui-lo a Ele do que à família. O próprio Cristianismo, como já vimos, tinha ensinos que poderiam ter alienado as pessoas. Valeria a pena? Dada a aguda estratificação social prevalecente na antiguidade, aqueles que se envolviam em relações sociais impróprias (misturas de escravos e pessoas livres, ricos e pobres, etc) arriscavam-se a ser cortados de todas as redes de relacionamentos das quais dependiam as suas posições. Em sociedades tradicionais isso era levado muito à sério.

Em caso de conflito, preferir seguir a Jesus em vez de se “colar” à família, geralmente significava abandonar bens materiais, de acordo com o ensino de Jesus ao jovem rico (Lucas 18:18-30). Isto também é um problema. A mobilidade geográfica e a consequente quebra da rede de relacionamentos sociais (família biológica, patronos, amigos, vizinhos) eram comportamentos considerados desviantes e teria sido muito mais significativo na antiguidade do que simplesmente deixar riquezas materiais para trás.

O BOM SAMARITANO

Nos seus ensinos, Jesus frequentemente fazia inversões das expectativas comuns, que teriam ofendido a maioria das pessoas, de forma grosseira. A parábola do “Bom Samaritano” é um bom exemplo (Lucas 10:29-37). Os Samaritanos eram um povo desprezado. Dizer que entre um sacerdote, um levita e um samaritano, o único que parou para ajudar um necessitado foi o samaritano teria sido suficientemente ofensivo! Para além de ser um samaritano, era um comerciante. Os comerciantes frequentemente enriqueciam às custas dos outros, e eram desprezados pelas massas, que os viam como ladrões, pelo que o samaritano da parábola não encaixava na concepção do “bom da fita”! Jesus inverteu completamente os estereótipos de uma forma que teria chocado a maioria dos seus ouvintes.

ZAQUEU, O COBRADOR DE IMPOSTOS

Uma inversão semelhante acontece com o convite de Zaqueu (Lucas 19). Ao jantar com um cobrador de impostos – na verdade, o chefe deles – Jesus demonstrou companheirismo com alguém que era tido como um ladrão. Não seria uma atitude de esperar por parte do filho de Deus, já que os cobradores de impostos eram tidos como os desonestos que pediam a mais do que aquilo que deveriam pedir. O companheirismo de Jesus é, portanto, entendido como se estivesse a dizer “eu acredito nele” enquanto a multidão não (Isto também se aplicava a Mateus).

MARIA E MARTA

Nós podemos não dar muita importância ao facto de Maria estar sentada aos pés de Jesus enquanto Marta, sua irmã, fazia o trabalho doméstico (Lucas 10:38-42). Podemos até mesmo simpatizar, mas os antigos não. A boa reputação de uma mulher dependia da sua habilidade em administrar os trabalhos domésticos. A reclamação de Marta pareceria legítima. Por estar sentada a escutar as palavras de Jesus, em vez de ajudar a irmã, Maria estava a “agir como um homem”! Mas apesar disto tudo, Jesus disse que Maria escolheu a melhor parte (Lucas 10:42). Este exemplo teria sido chocante para os antigos.

A MULHER DE SAMARIA

Outro episódio “não esperado” foi o encontro de Jesus com a mulher samaritana (João 4:5-29), falando com ela em público (uma desviada social) e usando o mesmo utensílio para beber água. Isto teria ofendido as visões comuns sobre a pureza e as relações intra e extra-grupais. Além disso, esta mulher ja tinha tido 5 maridos.

O TEMPLO

Tocar em símbolos apreciados pode ser um risco! Imagina uma pessoa a queimar a bandeira de Portugal ou do Brasil em público. Agora aplica isso àquilo que Jesus disse sobre o templo de Jerusalém (Lucas 21:5). O templo era o símbolo que identificava os judeus, era aquilo que dava a Israel a sua identidade única.

Dizer que o templo iria ser destruído era “atacar” o símbolo central do Judaísmo: o lugar onde o sacrifício e o perdão de pecados eram efectuados, um lugar de grande prestígio e honra perante aqueles que não eram judeus; o símbolo político central de Israel.

Apesar de todas estas incitações contrárias àquilo que a sociedade esperava, esta crença na soberania de Jesus foi mantida. Mas a coisa realmente extraordinária é que esta crença era mantida por um grupo pequeno que, pelo menos nas primeiras 2 ou 3 gerações dificilmente poderia ter organizado um tumulto numa vila, quanto mais uma revolução num império. Contudo, eles persistiram contra todas as dificuldades, atraindo a atenção indesejada das autoridades devido ao poder da mensagem, à visão do mundo e ao estilo de vida que ela gerava e mantinha. Sempre que voltamos aos textos chave que evidenciam o motivo de eles terem persistido numa crença tão improvável e perigosa, a resposta só pode ser: porque Jesus de Nazaré ressuscitou. E isto leva-nos a perguntar, mais uma vez: Por que eles alegavam isso?
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Ver Parte 15

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1 Comentário so far
Deixe um comentário

Se vc postou todos esses tópicos para ressaltá-los como atitudes nobres, já divergimos com relação ao conceito de nobreza.
Quanto ao fato de seus seguidores crerem… é crença, não deixa espaço pra debate.
Mesmo hoje em dia, tem gente que crê em cada coisa que chega a nos dar arrepio.

Comentar por ivancarlos




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