No princípio criou Deus os céus e a Terra


Sobre o que um orador criacionista disse num debate
Junho 4, 2008, 10:39 pm
Filed under: Desabafos, Evolução/Big-Bang

Um dos ateus que comenta no blogue O Criacionismo e a Teoria da Evolução disse que no debate “Razão na Criação ou Fé na Evolução” que decorreu na Faculdade de Teologia de Braga, quase tudo que o orador criacionista disse era treta. Como eu também estive lá, posso fazer o meu comentário. Citarei alguns exemplos apresentados, seguidos do meu comentário. Substituí o nome do orador simplesmente por “orador”:

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1. “O orador disse que o osso se tinha partido ao ser carregado para o helicóptero e que de imediato a Mary exclamou que o osso tinha nove dias. Ao mesmo tempo mostrou uma imagem que dava a entender que do osso tinham saído vigorosos nacos de carne. Soube-se depois que afinal a imagem era falsa, que a Mary não disse nada daquilo e que tudo aconteceu dentro de um laboratório.

-> O orador, de facto, disse que o osso partiu-se ao ser carregado para o helicóptero. Se o disse numa de brincar com a situação ou se o disse a pensar que foi realmente assim, não sei… sei que nos vários sítios que li sobre o assunto foi reportado que o osso foi partido ao retirar do local onde foi encontrado.

-> O orador não disse que a cientista que descobriu o fóssil afirmou que o mesmo tinha nove dias. Ela disse que, pelo excelente estado de conservação a nível celular, o fóssil dava a sensação que tinha 9 dias. É diferente.

-> A imagem que o orador mostrou foi precisamente o que os cientistas puderam ver quando analisaram os tecidos moles encontrados ao microscópio. O “dava a entender que do osso tinham saído vigorosos nacos de carne” já é uma interpretação pessoal.

-> O “soube-se depois que afinal a imagem era falsa” é uma grande mentira. A imagem não é falsa. Podemos vê-la, entre outros sítios, aqui e aqui.

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2. “A treta do código genético enquanto código que exige consciência para atribuir significado (referente proteico) ao significado (complexos constituintes do ADN). É treta, e das fortes, mas que um leigo engole bem.

-> Se o orador disse algo deste género não me lembro. Sei que disse que o código genético necessitou da acção de uma inteligência para que funcionasse. Aliás, como qualquer sistema de informação necessita.

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3. “A treta das “premissas naturalistas que afastam Deus à partida”. Aquilo é filosofia da ciência do mais deturpado que há, e provavelmente uma desonestidade de todo o tamanho. Penso que é a nata do orador (o texto é citado por toda a blogosfera criacionista), mas ainda por cima é historicamente incorrecto.

-> Todos os ateus tentam-se defender dos ataques criacionistas à filosofia naturalista. Explicam-se utilizando o exemplo de Newton que atribuía a Deus as irregularidades nas órbitas dos planetas que não se encaixavam na sua teoria. Mais tarde, Einstein explicou por métodos naturalistas aquilo que Newton atribuía a Deus. No entanto, Einstein não explicou como é que a Gravidade surgiu em primeiro lugar. Deus nunca foi excluído.

-> Parece teimosia a mais querer negar que o naturalismo não impede uma “mão de Deus”. Basta ver-se os inúmeros exemplos de descobertas científicas controversas para a Evolução que levam os cientistas a definirem os seus próprios axiomas. Quando os tecidos moles do T-rex foram encontrados extremamente bem preservados, os cientistas passaram a acreditar que afinal é possível que eles durem dezenas de milhões de anos, apesar de anteriormente a essa descoberta acreditar-se que todo o material orgânico não duraria mais de 100.000 anos. Um exemplo mais recente revela ainda mais as talas do evolucionista. Quando esta pegada de um ser humano bípede avaliada entre 5 a 15 milhões de anos foi descoberta, os cientistas não disseram que ela poderia deitar por terra a Evolução. Antes, saíram-se com isto: “esta pegada provaria a existência de “outras humanidades”“… o que quer que isto queira dizer. As pressuposições naturalistas fazem com que os cientistas não vejam o óbvio.

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4. “A treta divisão da ciência em ciência das origens e ciência operacional (ou algo que o valha), como se a ciência fosse um tabuleiro de xadrez com casas individualizadas.

-> Há uma diferença bem óbvia entre uma ciência que faz experiências no presente (que nos permite ter um telemóvel e um computador para criar blogues a revelar aquilo que não aprendemos na escola sobre a Evolução) e uma ciência que tenta desenhar uma história das origens, com base em certos pressupostos.

-> A verdade é que quando os cientistas se inspiram em mecanismos presentes em animais para surgirem com novas invenções, eles não precisam de estudar o suposto passado evolutivo desses animais para algo aparecer. O Louis Pasteur não precisou de estudar o suposto passado evolutivo dos germes e bactérias para dar origem à pasteurização. Os irmãos Wright não precisaram de estudar o suposto passado evolutivo dos pássaros para criarem o avião.

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5. “A treta da irrefutabilidade da teoria da evolução, com referência às teses do falsificacionismo de Popper – curiosamente, quando o próprio Popper admitiu que a teoria era falsificável.

-> Não me lembro de ter referido isto. Não estou a dizer que não referiu, estou a dizer que não me recordo se o disse ou não.

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6. “A treta de que as mutações apenas causam perda de informação genética ou que a deturpam. Isto é das palermices que qualquer estudante de biologia do primeiro ano apanha. Imagina tu que biologicamente nem há essa coisa de mutações más e boas. Uma mutação confere mais adaptabilidade conforme o contexto.

-> Curiosamente, o biólogo que fazia as honras evolucionistas não se pronunciou a este aspecto.

-> Biologicamente nem há essa coisa de mutações más e boas… elas conferem mais adaptabilidade conforme o contexto… sim, claro que sim… que o diga o Homem-Árvore. De certeza que se sentiu mais adaptado ao seu ambiente. (Ver também: Alterações genéticas não produzem nova informação genética – Parte 1 e Parte 2).

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