No princípio criou Deus os céus e a Terra


O problema das traduções modernas e o problema dos ateus de má-fé
Abril 12, 2008, 11:42 am
Filed under: Estupidez/Fanatismo/Ignorância ateísta

De facto, vários fenómenos que foram atribuídos inicialmente ao sobrenatural tiveram mais tarde uma explicação natural. Por exemplo, a epilepsia havia inicialmente sido atribuída à acção dos deuses, até que Hipócrates afirmou que não passava de uma doença orgânica do cérebro. Hoje sabemos que é devida a excesso de actividade de determinadas zonas do cérebro e conseguimos controlar a doença com fármacos. Se tivessemos ficado com a explicação sobrenatural (a que é avançada nos Evangelhos, onde é atribuída à possessão demoníaca, tal como foi feito até ao século XVIII, o que deu origem a várias perseguições aos doentes), ainda praticaríamos exorcismos em vez de utilizarmos medicamentos.” (Avelar et al., Evolução e criacionismo, uma relação impossível, pág. 174)
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Teresa Avelar e os restantes autores do livro supracitado afirmam que os Evangelhos da Bíblia dizem que a epilepsia se deve à acção de espíritos demoníacos. Mas será que ela diz mesmo isso?

Eu fui ver na versão Bíblia Teen (uma tradução mais recente) que tenho cá em casa a passagem em questão e realmente lá dizia: “Senhor, tem compaixão do meu filho porque é epiléptico e sofre muito…” (Mateus 17:15). Estando eu ciente do problema das traduções mais actuais, fui consultar uma bíblia com uma versão mais antiga. O mesmo versículo dizia: “Senhor, tem compaixão do meu filho que é lunático e sofre muito…“. Consultei ainda outra versão, a mais antiga cá em casa, e o mesmo versículo dizia: “Senhor, tem compaixão do meu filho porque está possesso e sofre muito…“.

Está-se mesmo a ver porque é que os autores do livro dizem que os Evangelhos avançam com a ideia de que a epilepsia é causada por acção de espíritos demoníacos. Compara-se duas ou três versões da Bíblia e vê-se que uma delas fala em epilepsia, outra em possessão demoníaca e pronto. Está feita a conexão. Mas isso não é jogar de forma correcta.

Outro erro, a meu ver, é adaptar-se a palavra “epiléptico” para uma tradução mais teen e actual. Achar que as acções do rapaz são equivalentes às acções de quem tem epilepsia não é motivo para se traduzir “possesso” para “epiléptico”. Tanto se quer fazer que se acaba por dar mais azo a más interpretações.

Apesar de ser bonito existirem versões bíblicas com linguagem mais acessível para crianças e adolescentes, por vezes, podem surgir estas aparentes incongruências. É sempre melhor lermos a versão não revisada de João Ferreira de Almeida porque é aquela cujo sentido mais se aproxima das línguas originais, apesar de, às vezes termos de levar com palavras tipo “opróbrio” ou “ignóbil”.

Outro lado é a má-fé de muitos ateus. A ânsia de encontrar erros ou falta de coerência na Bíblia é tanta que jogam de todas as maneiras, ignorando aspectos básicos que se deve ter em conta.

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14 comentários so far
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bom post. Epilepsia e possessão são coisas diferentes e ambas existem. A respeito das traduções, elas não têm inspiração divina, como tal enquanto não soubermos fluentemente aramaico, grego e hebraico (eheheh) teremos de nos singir a traduções e devemos sempre ter várias, e tirar o melhor de cada uma, a tradução que citaste é uma tradução literal da versão inglesa King James.

Comentar por natenine

“Se tivessemos ficado com a explicação sobrenatural (a que é avançada nos Evangelhos, onde é atribuída à possessão demoníaca, tal como foi feito até ao século XVIII, o que deu origem a várias perseguições aos doentes), ainda praticaríamos exorcismos em vez de utilizarmos medicamentos.”

Há uma presuposição nesta frase, e ela é a seguinte:

1. Muitas coisas que no passado eram atribuídas ao sobrenatural, hoje são coisas perfeitamente naturais e explicadas pela ciência.

2. ENTÃO, tudo aquilo que HOJE é atribuído ao sobrenatural (a origem do universo, a origem da vida, etc) vai ser, um dia, explicado “naturalmente”.

As perguntas que se fazem são as seguintes:
1. Será que tudo tem uma explicação “natural” (oposta ao sobrenatural)? A Teresa parece acreditar que sim, mas não diz porquê.

2. Mesmo que se arranje uma explicação naturalista para coisas que hoje atribuimos ao sobrenatural, isso invalida o sobrenatural?

3. Se uma coisa hoje é atribuída ao sobrenatural, ela é falsa? Porquê?

O que a Teresa provavelmente não diz no texto éque ela é materialista, e como tal, ela discarta tudo aquilo que choca com a sua filosofia de vida. Não é que as evidências a levem a ser materialista, mas sim, que ela condiciona a interpretação das evidências à luz do seu materialismo.

Comentar por Mats

“Será que tudo tem uma explicação “natural” (oposta ao sobrenatural)?”

Sim, sobrenatural não é mais que a disney dos cristãos e de outros iludidos. Não faz sentido nenhum, nem se pode comprovar mas deixa-os felizes acreditar que existe. 🙂

“Mesmo que se arranje uma explicação naturalista para coisas que hoje atribuimos ao sobrenatural, isso invalida o sobrenatural?”

Invalida pois.

“Se uma coisa hoje é atribuída ao sobrenatural, ela é falsa? Porquê?”

Porque está desprovida de sentido.

“O que a Teresa provavelmente não diz no texto éque ela é materialista”

Isso é a tua assumpção e mesmo que fosse materialista qual é o mal disso? Tem mais valor a tua opinião por te considerares não materialista?

Comentar por Tiago

“Tem mais valor a tua opinião por te considerares não materialista?”

tem mais valor a tua por te considerares materialista?

Comentar por alogicadosabino

Tem mais sentido a minha porque eu acredito em coisas que podem ser provadas e não em produtos da imaginação sem qualquer fundo de verdade.

Comentar por Tiago

“Tem mais sentido a minha porque eu acredito em coisas que podem ser provadas”
A bíblia não está sendo comprovada atualmente ?
Amigo, em que sistema solar passou neste último mês ?

“em produtos da imaginação sem qualquer fundo de verdade”
Tiago , seus posts tem sido agressivos e mal fundamentados .
Na maioria deles o que vem depois do porque é outra opnião pessoal .
Defenda a sua opnião de modo lógico e necessário .

Comentar por Matheus

SOU DO TIPO QUE SO ACRETIDA VENO

Comentar por ESTRELAR

karenkarenkarenkarenkarenkarenkarenkarenkarenkarenkarenkarenkarenkarenkaren

Comentar por ESTRELAR

Interessante… imagino que não apliques o mesmo raciocínio “SOU DO TIPO QUE SO ACREDITA VENDO” às teorias naturalistas da origem da vida.

Comentar por alogicadosabino

DE FATO urge muito cuidado no entendimento dos textos bíblicos. “Primo”, tudo que sabemos hoje sobre Deus, seu povo, suas regras, é baseado em textos cópias dos originais que desapareceram.

A meu ver, este “sumiço” representa, em primeira mão, a incapacidade natural do homem de manter intacta sua cultura ao longo de eventos históricos drásticos, como o foram os que se abateram sobre os judeus, como é sabido. Creio que deveria caber ao Espírito de Deus a providência para garantir a intangibilidade dos textos sagrados. Ponto negativo para Deus.

Comentar por Hoozemberg de Oliveira

Hoozemberg de Oliveira, obrigado pelo comentário submetido.

“DE FATO urge muito cuidado no entendimento dos textos bíblicos.”

É verdade. E mais difícil fica quando o homem pensa que para entender a bíblia basta lê-la como se lê um jornal.

““Primo”, tudo que sabemos hoje sobre Deus, seu povo, suas regras, é baseado em textos cópias dos originais que desapareceram.”

Exacto. Assim como qualquer registo de qualquer povo da antiguidade. Os originais foram-se. Mas Deus providenciou a conservação da Sua palavra.

“Creio que deveria caber ao Espírito de Deus a providência para garantir a intangibilidade dos textos sagrados. Ponto negativo para Deus.”

O achado dos pergaminhos do Mar Morto revelaram que a mensagem bíblica permaneceu inalterável ao longo dos séculos. Não tens que te preocupar.

As traduções não foram inspiradas por Deus. Os originais sim. O maior problema é quando os ateus, sem conhecimento bíblico nenhum, enveredam pela crítica ao conteúdo bíblico.

Comentar por alogicadosabino

Atualmente sabe-se da existência de mais de 5.300 manuscritos gregos do Novo Testamento.
Acrescentem-se a esse número mais de 10.000 manuscritos da Vulgata Latina e, pelo menos, 9.300 de
outras antigas versões, e teremos hoje mais de 24.000 cópias de porções do Novo Testamento.
Nenhum outro documento da história antiga chega perto desses números e dessa confirmação. Em
comparação, a Ilíada de Homero vem em segundo lugar, com apenas 643 manuscritos que sobreviveram até hoje. O primeiro texto completo e preservado de Homero data do século treze.
O TESTEMUNHO DOS ROLOS DO MAR MORTO A RESPEITO DA CREDIBILIDADE DAS
ESCRITURAS JUDAICAS
Foi Sir Frederic Kenyon quem, pela primeira vez, fez a grande pergunta: “Será que esse texto hebraico,
que chamamos de massorético e que temos mostrado como descendente de um texto preparado por volta
de 100 A.D., apresenta fielmente o texto hebraico, tal como foi escrito pelos autores dos livros do Antigo
Testamento?” 49/47
Os Rolos do Mar Morto nos fornecem uma resposta clara e afirmativa.
O problema, antes da descoberta dos Rolos do Mar Morto, era: “Qual a fidelidade das cópias que
temos hoje em comparação com o texto do primeiro século?” Pelo fato de ter sido copiado e recopiado
tantas vezes, poderemos confiar no texto?
O que são os Rolos do Mar Morto?
Os Rolos são constituídos de cerca de 40.000 fragmentos que foram relacionados. Desses fragmentos
mais de 500 livros já foram reconstituídos.
Muitos fragmentos e livros extra-bíblicos foram descobertos, lançando luz sobre a comunidade religiosa
de Qumran. Esses escritos, tais como os “documentos de justiça”, uma “Regra da Comunidade” e o “Manual
de Disciplina”, ajudam-nos a entender o propósito da vida diária em Qumran. Em diversas cavernas estão
alguns comentários bem úteis sobre as Escrituras.

Comentar por pr josé

Lucas 9
38 E eis que um homem da multidão clamou, dizendo: Mestre, peço-te que olhes para meu filho, porque é o único que eu tenho.
39 Eis que um espírito o toma e de repente clama, e o despedaça até espumar; e só o larga depois de o ter quebrantado.
40 E roguei aos teus discípulos que o expulsassem, e não puderam.
41 E Jesus, respondendo, disse: O geração incrédula e perversa! até quando estarei ainda convosco e vos sofrerei? Traze-me aqui o teu filho.
42 E, quando vinha chegando, o demônio o derrubou e convulsionou; porém, Jesus repreendeu o espírito imundo, e curou o menino, e o entregou a seu pai.

Ou é um caso de epilepsia ou de um demônio imitando um caso de epilepsia…

A associação destes casos com “espíritos” de doenças é comum em diversos povos (com causa interna, nunca são chamados endemoninhados os doentes por motivo entendível), até hoje alguns povos ainda atribuem à certos “espíritos” casos severos de malária.

E o que seriam esses demônios? anjos caídos? (tem algum versículo que declare isso?) E porque esses casos não existem no velho testamento? (onde há apenas alguns tipos de “espírito”, enviado pelo próprio Deus)

Pra mim, é mais fácil aceitar que Jesus apenas procedeu segundo o conhecimento do povo daquela época. No velho testamento, por exemplo, algumas vezes encontramos Deus fazendo referências a outros deuses quando falava com o povo que tirou do Egito, ou seja, procedendo segundo o entendimento daqueles, mas nem por isso somos politeístas.

Comentar por Carianha

essas interpretacoes ai do (epiléptico, lunatico e possesso) para mim estao todas correctas as pessoas na versao mais antiga estavam longe d saber o que seria e chamavao possesso e realmente teem razao tem haver com espiritos opacos, tempos depois pessoas diferentes diziam lunatico tambem vai dar ao mesmo sao efeitos negativos, na versao mais recente uma vez que a medecina ja era avancada ao ponto de saberem as causas da doenca poseram lhe um nome e foi epiléptico pois todas essas 3 palavras sao negativas e no meu ver tudo o que seja negativo é demoniaco entam vem todos do inferno doencas, maluquisses etc sao imperfeicoes seja psicofisicos ou espirituais e para todos eles a um causador que é o traidor de DEUS.

Comentar por Alfa Fu G




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